A EPIDEMIA (The Crazies, EUA, 2010).
Direção: Breck Eisner.
Com: Timothy Olyphant, Radha Mitchell, Joe Anderson, Danielle Panabaker, Christie Lynn Smith. 101min.
Quando se menciona algo sobre uma 'nova' produção com temática zumbi, os fãs do gênero, ironicamente, apavoram-se. A razão é simples: de uns tempos pra cá, as grotescas criaturas degustadoras de cérebros perderam um pouco da sua essência. Os zumbis de hoje são tão velozes quanto uma propagação epidêmica. Em alguns casos, funciona - vide o remake 'MADRUGADA DOS MORTOS'. Em outros - a maioria, na verdade -, o resultado é tal qual uma infestação por mortos-vivos: catastrófico.
Além da responsabilidade de trazer zumbis decentes, este A EPIDEMIA teria outro grande desafio: refilmar, com dignidade, O EXÉRCITO DO EXTERMÍNIO (1973), um dos clássicos do 'pai dos mortos-vivos', George A. Romero. E refilmagens, claro, também deixam os aficionados pelo gênero amedrontados.
A EPIDEMIA não dispõe das alegorias e metáforas sociais presentes na obra de Romero - há, apenas, críticas dispersas (à opressão bélica americana, por exemplo); aqui, o objetivo é específico: entreter. E, neste quesito, o filme começa bem. Nos primeiros minutos, somos apresentados a uma tensa sequência: abruptamente, em meio a uma partida de baseball, algo chocante ocorrerá. Daí em diante, o xerife David Dutten (Timothy Olyphant), sua esposa Judy (Radha Mitchell) e seu fiel escudeiro Russell (Joe Anderson) iniciarão a velha jornada de sobrevivência em meio à carnificina protagonizada pelos 'loucos' - e, também, pelos militares americanos; aliás, uma escolha acertada do roteiro consiste em focar, em alguns momentos do filme, nos conflitos entre os camponeses e os soldados fortemente armados. Uma das melhores cenas de A EPIDEMIA, inclusive, provém da ênfase anteriormente mencionada: ao fugir de um helicóptero, os sobreviventes buscam abrigo num claustrofóbico (e inseguro) lava-jato.
Mas, como nada é perfeito se não tiver defeitos, A EPIDEMIA, numa sucessão de clichês e lugares-comuns, logo trata de equilibrar a 'balança acertos/erros' - dar de cara, no meio do nada, com um solitário chefão do governo (ou algo do tipo) que, por sua vez, passeia displicentemente de carro pela região isolada, é demais, não? A coincidência bisonha tem, obviamente, um propósito: fornecer maiores esclarecimentos sobre a hecatombe que está por vir. E, aqui, A EPIDEMIA exibe o seu maior trunfo: uma cena que 'manda pro espaço' (com o perdão do trocadilho) muitas sequências digitais perpetradas pelos blockbusters hollywoodianos.
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
terça-feira, 4 de outubro de 2011
Crítica do dia!
A MINHA VERSÃO DO AMOR (Barney´s Version, Canadá/Itália, 2010).
Direção: Richard J. Lewis.
Com: Paul Giamatti, Minnie Driver, Dustin Hoffman, Rosamund Pike, Rachelle Lefevre, Scott Speedman. 134min.
Baseado no livro 'A versão de Barney', lançado no Brasil pela editora Companhia das Letras e de autoria do renomado escritor canadense Mordecai Richler, A MINHA VERSÃO DO AMOR é constituído, basicamente, de duas etapas: na primeira delas, o filme é uma espécie de comédia de humor negro com pitadas de drama; na segunda, um drama com algumas pitadas de humor negro.
A indecisão em definir-se como um exemplar típico de um determinado gênero não é, neste caso, prejudicial - o próprio protagonista, Barney Panofsky, interpretado com excelência por Paul Giamatti (vencedor do Globo de Ouro deste ano na categoria melhor Musical-Comédia), é, essencialmente, indeciso. De origem judaica, Barney é um desalentado produtor de TV (responsável, entre outras coisas, pelas 'Produções completamente desnecessárias') que, na ocasião do lançamento de um controverso livro, publicado por um detetive 'em sua homenagem', é incitado a recapitular momentos importantes de sua vida. Assim, somos transportados à Roma da década de 70, época em que Barney perpetra o primeiro de dois desastrosos matrimônios.
A retrospectiva de Barney é, em última instância, um contraponto às situações biográficas contidas no livro que o 'homenageia' - aqui, inclusive, vale a seguinte reflexão: o que os outros pensam sobre nós afeta o nosso comportamento? Barney é, sim, um bom sujeito - de coração transparente, segundo uma de suas esposas; o espectador mais atento certamente perceberá o bando de oportunistas que rodeiam o judeu. Alguns, dizem-se amigos; outras, dizem-se cônjuges. Barney tem seus defeitos, claro; um deles, aliás, mulher alguma jamais compreenderá: o fascínio pelo esporte aliado à prática habitual de assistir jogos bebericando misturas alcoólicas.
O primeiro tomo de A MINHA... é marcante, sobretudo, devido à presença monumental de Dustin Hoffman. Ao interpretar Izzy Panofsky, pai de Barney, o ator dá uma verdadeira aula de atuação - a qual Ricardo Macchi não deveria ter faltado, diga-se de passagem. Cada aparição de Izzy na tela é promessa de altas gargalhadas: cafajeste e sarcástico, o detetive aposentado exibe com maestria toda a sua 'sabedoria paternal'.
No segundo tomo, A MINHA... trata de profetizar os desfechos de pai e filho - e, aqui, vale ressaltar uma inteligente estratégia do roteiro: a busca pela redenção com o auxílio da memória antes que seja tarde demais. Recordar é viver, mas, cuidado: não esqueça de viver o presente.
Direção: Richard J. Lewis.
Com: Paul Giamatti, Minnie Driver, Dustin Hoffman, Rosamund Pike, Rachelle Lefevre, Scott Speedman. 134min.
Baseado no livro 'A versão de Barney', lançado no Brasil pela editora Companhia das Letras e de autoria do renomado escritor canadense Mordecai Richler, A MINHA VERSÃO DO AMOR é constituído, basicamente, de duas etapas: na primeira delas, o filme é uma espécie de comédia de humor negro com pitadas de drama; na segunda, um drama com algumas pitadas de humor negro.
A indecisão em definir-se como um exemplar típico de um determinado gênero não é, neste caso, prejudicial - o próprio protagonista, Barney Panofsky, interpretado com excelência por Paul Giamatti (vencedor do Globo de Ouro deste ano na categoria melhor Musical-Comédia), é, essencialmente, indeciso. De origem judaica, Barney é um desalentado produtor de TV (responsável, entre outras coisas, pelas 'Produções completamente desnecessárias') que, na ocasião do lançamento de um controverso livro, publicado por um detetive 'em sua homenagem', é incitado a recapitular momentos importantes de sua vida. Assim, somos transportados à Roma da década de 70, época em que Barney perpetra o primeiro de dois desastrosos matrimônios.
A retrospectiva de Barney é, em última instância, um contraponto às situações biográficas contidas no livro que o 'homenageia' - aqui, inclusive, vale a seguinte reflexão: o que os outros pensam sobre nós afeta o nosso comportamento? Barney é, sim, um bom sujeito - de coração transparente, segundo uma de suas esposas; o espectador mais atento certamente perceberá o bando de oportunistas que rodeiam o judeu. Alguns, dizem-se amigos; outras, dizem-se cônjuges. Barney tem seus defeitos, claro; um deles, aliás, mulher alguma jamais compreenderá: o fascínio pelo esporte aliado à prática habitual de assistir jogos bebericando misturas alcoólicas.
O primeiro tomo de A MINHA... é marcante, sobretudo, devido à presença monumental de Dustin Hoffman. Ao interpretar Izzy Panofsky, pai de Barney, o ator dá uma verdadeira aula de atuação - a qual Ricardo Macchi não deveria ter faltado, diga-se de passagem. Cada aparição de Izzy na tela é promessa de altas gargalhadas: cafajeste e sarcástico, o detetive aposentado exibe com maestria toda a sua 'sabedoria paternal'.
No segundo tomo, A MINHA... trata de profetizar os desfechos de pai e filho - e, aqui, vale ressaltar uma inteligente estratégia do roteiro: a busca pela redenção com o auxílio da memória antes que seja tarde demais. Recordar é viver, mas, cuidado: não esqueça de viver o presente.
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Crítica do dia!
O HOMEM DO FUTURO (Brasil, 2011).
Direção: Cláudio Torres.
Com: Wagner Moura, Alinne Moraes, Maria Luísa Mendonça, Gabriel Braga Nunes, Fernando Ceylão. 103min.
Dois óbvios motivos influenciavam-me a não ir ao cinema ver este O HOMEM DO FUTURO. Primeiro: tratava-se de um filme brasileiro que ousava mesclar gêneros cinematográficos aparentemente disjuntos -comédia romântica e ficção científica. Segundo: a trama era uma variante da clássica fórmula 'homem viaja no tempo e resolve consertar o passado; mas, claro, alguma coisa dá errado e o 'novo' futuro - oriundo da intervenção de outrora - já não é mais como era antigamente.' Mais: por falar em Legião Urbana, havia, também, um baile cujo clímax transcorria ao som do hino 'Tempo Perdido', musicaço da banda supracitada. E, claro, qualquer semelhança com DE VOLTA PARA O FUTURO seria apenas uma singela homenagem.
Por outro lado, porém, haviam os motivos que instigavam-me a assistir o filme. Primeiro: as presenças de Wagner Moura e da bela Alinne Moraes. Segundo: a direção de Cláudio Torres - do bom A MULHER INVISÍVEL, que levou cerca de 2 milhões de espectadores às salas brazucas.
Ironicamente, o tempo foi um fator decisivo. No dia em que fui ao cinema, a sessão que exibia O HOMEM DO FUTURO era a única que se adequava à minha disponibilidade de horários. E, para minha surpresa, o resultado final foi positivo. Aqui, Wagner Moura interpreta o físico João Nogueira (codinome: 'Zero'), um brilhante cientista prestes a descobrir uma revolucionária fonte de energia. Eis que, após um atrevido experimento, João viaja no tempo e vai parar no dia 22/11/1991. Neste dia, estreava nos cinemas a 30ª animação produzida pelos estúdios Walt Disney: o clássico A BELA E A FERA. Em terras tupiniquins, no entanto, uma outra improvável relação amorosa surgiria: o jovem João faria amor com a mais bela estudante da universidade - Helena, interpretada por Alinne Moraes. A moça, porém, faria o pobre rapaz passar pela maior humilhação de toda a sua vida. Assim, o 'João futurista' decide intervir em prol de si mesmo.
Não há como negar: o tema é clichê. E os lugares-comuns fazem com que alguns momentos do filme sejam enfadonhos. Mais uma vez, o tempo foi um fator chave: gradualmente, as coisas são postas em seus devidos lugares. Segue-se, então, uma série de pequenas surpresas e cenas memoráveis - a já citada versão de 'Tempo Perdido' cantada no baile; o jovem João 'chapadaço' protagonizando sequências hilárias; Alinne Moraes de lingerie, entre outras. E, para fortalecer o visual, o ótimo apelo sonoro: aqui, as músicas, selecionadas a dedo, têm papel crucial - destaque para as presenças de RADIOHEAD, THE MARMALADE e SUA MÃE, a banda do ator Wagner Moura.
Em entrevista, o diretor Cláudio Torres disse: 'Eu me interesso pelo insólito, porque, mesmo diante do fantástico, um homem não deixa de sofrer.' Na opinião do cineasta, o sofrimento é, portanto, parte do processo de crescimento pessoal - e esta crença reflete-se na opção por soluções não triviais para o filme. Como diria Sawyer: 'What´s done is done.'
Direção: Cláudio Torres.
Com: Wagner Moura, Alinne Moraes, Maria Luísa Mendonça, Gabriel Braga Nunes, Fernando Ceylão. 103min.
Dois óbvios motivos influenciavam-me a não ir ao cinema ver este O HOMEM DO FUTURO. Primeiro: tratava-se de um filme brasileiro que ousava mesclar gêneros cinematográficos aparentemente disjuntos -comédia romântica e ficção científica. Segundo: a trama era uma variante da clássica fórmula 'homem viaja no tempo e resolve consertar o passado; mas, claro, alguma coisa dá errado e o 'novo' futuro - oriundo da intervenção de outrora - já não é mais como era antigamente.' Mais: por falar em Legião Urbana, havia, também, um baile cujo clímax transcorria ao som do hino 'Tempo Perdido', musicaço da banda supracitada. E, claro, qualquer semelhança com DE VOLTA PARA O FUTURO seria apenas uma singela homenagem.
Por outro lado, porém, haviam os motivos que instigavam-me a assistir o filme. Primeiro: as presenças de Wagner Moura e da bela Alinne Moraes. Segundo: a direção de Cláudio Torres - do bom A MULHER INVISÍVEL, que levou cerca de 2 milhões de espectadores às salas brazucas.
Ironicamente, o tempo foi um fator decisivo. No dia em que fui ao cinema, a sessão que exibia O HOMEM DO FUTURO era a única que se adequava à minha disponibilidade de horários. E, para minha surpresa, o resultado final foi positivo. Aqui, Wagner Moura interpreta o físico João Nogueira (codinome: 'Zero'), um brilhante cientista prestes a descobrir uma revolucionária fonte de energia. Eis que, após um atrevido experimento, João viaja no tempo e vai parar no dia 22/11/1991. Neste dia, estreava nos cinemas a 30ª animação produzida pelos estúdios Walt Disney: o clássico A BELA E A FERA. Em terras tupiniquins, no entanto, uma outra improvável relação amorosa surgiria: o jovem João faria amor com a mais bela estudante da universidade - Helena, interpretada por Alinne Moraes. A moça, porém, faria o pobre rapaz passar pela maior humilhação de toda a sua vida. Assim, o 'João futurista' decide intervir em prol de si mesmo.
Não há como negar: o tema é clichê. E os lugares-comuns fazem com que alguns momentos do filme sejam enfadonhos. Mais uma vez, o tempo foi um fator chave: gradualmente, as coisas são postas em seus devidos lugares. Segue-se, então, uma série de pequenas surpresas e cenas memoráveis - a já citada versão de 'Tempo Perdido' cantada no baile; o jovem João 'chapadaço' protagonizando sequências hilárias; Alinne Moraes de lingerie, entre outras. E, para fortalecer o visual, o ótimo apelo sonoro: aqui, as músicas, selecionadas a dedo, têm papel crucial - destaque para as presenças de RADIOHEAD, THE MARMALADE e SUA MÃE, a banda do ator Wagner Moura.
Em entrevista, o diretor Cláudio Torres disse: 'Eu me interesso pelo insólito, porque, mesmo diante do fantástico, um homem não deixa de sofrer.' Na opinião do cineasta, o sofrimento é, portanto, parte do processo de crescimento pessoal - e esta crença reflete-se na opção por soluções não triviais para o filme. Como diria Sawyer: 'What´s done is done.'
terça-feira, 20 de setembro de 2011
Crítica do dia!
O PLANETA DOS MACACOS - A Origem (The rise of the planet of the apes, EUA, 2011).
Direção: Rupert Wyatt.
Com: James Franco, John Lithgow, Freida Pinto, Brian Cox, Tom Felton, Andy Serkis. 105min.
Segundo a TEORIA DO DESIGN INTELIGENTE, os complexos mecanismos de funcionamento do Universo e a perfeição estrutural dos seres vivos só podem mesmo ser obra do chamado 'criador inteligente' - a teoria, tida como pseudociência, é vista como uma roupagem moderna para o Criacionismo. Assim, Deus existe e o espetáculo da natureza, entre outras coisas, seria uma prova de tal existência. O homem, com sua mania secular de grandeza, acredita ser o espécime ótimo da evolução, e, muitas vezes, ousa brincar de Deus, interferindo, por exemplo, nos intrincados processos ecológicos-naturais. Os resultados são, na maioria das vezes, catastróficos.
O Cinema, em várias oportunidades, explorou as maléficas consequências da ação antrópica desvairada. Produções como OS PÁSSAROS, de Alfred Hitchcock, e o recente FIM DOS TEMPOS, de M. Night Shyamalan, estão fundamentadas na apresentação, por parte da natureza, de inimagináveis mecanismos de defesa. A franquia PLANETA DOS MACACOS, por sua vez, talvez cause um forte impacto pelo fato do bicho em questão ser exatamente o 'macaco' - em tempo: os chimpanzés, por exemplo, compartilham conosco cerca de 99% de seu DNA.
No original, de 1968, os macacos são, de fato, a raça dominadora - os homens são, inclusive, utilizados como cobaias em pesquisas. Em O PLANETA DOS MACACOS - A Origem, é apresentada a possível causa da opressão simiesca: na esperança de encontrar a cura para doenças degenerativas cerebrais, o cientista Will Rodman (James Franco) idealiza o ALZ-112, substância atuante nos processos celulares do sistema nervoso. A droga, porém, é testada em chimpanzés e tem um surpreendente efeito colateral: os macacos aprimoram sua inteligência e suas habilidades cognitivas são maximizadas. Após um incidente, Will adota um filhote de chimpanzé que, em breve, receberá do pai enfermo do cientista (John Lithgow) o sugestivo sobrenome de um dos maiores generais do Império Romano: Caesar.
Caesar é 'interpretado' por Andy Serkis - sim, o mesmo carinha responsável por Gollum, de O SENHOR DOS ANÉIS -, especialista em captura de performance por computação gráfica. E, como você já deve saber, Caesar, assim como todos os outros macacos que constam no filme, é de cair o queixo. As sequências 'macacada reunida' são visualmente empolgantes; mais: casam muito bem com o roteiro inteligente e bem escrito. A cena da ponte Golden Gate já é uma das melhores do ano.
Se o ALZ-112 tem impacto positivo nos símios, nos humanos, por outro lado, tem efeito devastador - uma interessante sacada do roteiro que resulta numa cena após os créditos finais. O efeito da droga, contudo, é ferramenta indispensável para a intenção primordial do filme: centralizar a trama nos macacos. A escolha é certeira. Tanto que o elenco não-computadorizado, à exceção de John Lithgow e Tom Felton (ótimo no papel de 'carcereiro'), quase não merece destaque. A macacada faz e acontece.
Caesar, ao liderar a 'revolução dos bichos', profetiza o desfecho lúgubre do reinado humano. Mas, como quem é rei nunca perde a majestade, outros dois filmes estão previstos. Nesse meio tempo, quem sabe o homem não aprende a respeitar um pouco mais a natureza?
Direção: Rupert Wyatt.
Com: James Franco, John Lithgow, Freida Pinto, Brian Cox, Tom Felton, Andy Serkis. 105min.
Segundo a TEORIA DO DESIGN INTELIGENTE, os complexos mecanismos de funcionamento do Universo e a perfeição estrutural dos seres vivos só podem mesmo ser obra do chamado 'criador inteligente' - a teoria, tida como pseudociência, é vista como uma roupagem moderna para o Criacionismo. Assim, Deus existe e o espetáculo da natureza, entre outras coisas, seria uma prova de tal existência. O homem, com sua mania secular de grandeza, acredita ser o espécime ótimo da evolução, e, muitas vezes, ousa brincar de Deus, interferindo, por exemplo, nos intrincados processos ecológicos-naturais. Os resultados são, na maioria das vezes, catastróficos.
O Cinema, em várias oportunidades, explorou as maléficas consequências da ação antrópica desvairada. Produções como OS PÁSSAROS, de Alfred Hitchcock, e o recente FIM DOS TEMPOS, de M. Night Shyamalan, estão fundamentadas na apresentação, por parte da natureza, de inimagináveis mecanismos de defesa. A franquia PLANETA DOS MACACOS, por sua vez, talvez cause um forte impacto pelo fato do bicho em questão ser exatamente o 'macaco' - em tempo: os chimpanzés, por exemplo, compartilham conosco cerca de 99% de seu DNA.
No original, de 1968, os macacos são, de fato, a raça dominadora - os homens são, inclusive, utilizados como cobaias em pesquisas. Em O PLANETA DOS MACACOS - A Origem, é apresentada a possível causa da opressão simiesca: na esperança de encontrar a cura para doenças degenerativas cerebrais, o cientista Will Rodman (James Franco) idealiza o ALZ-112, substância atuante nos processos celulares do sistema nervoso. A droga, porém, é testada em chimpanzés e tem um surpreendente efeito colateral: os macacos aprimoram sua inteligência e suas habilidades cognitivas são maximizadas. Após um incidente, Will adota um filhote de chimpanzé que, em breve, receberá do pai enfermo do cientista (John Lithgow) o sugestivo sobrenome de um dos maiores generais do Império Romano: Caesar.
Caesar é 'interpretado' por Andy Serkis - sim, o mesmo carinha responsável por Gollum, de O SENHOR DOS ANÉIS -, especialista em captura de performance por computação gráfica. E, como você já deve saber, Caesar, assim como todos os outros macacos que constam no filme, é de cair o queixo. As sequências 'macacada reunida' são visualmente empolgantes; mais: casam muito bem com o roteiro inteligente e bem escrito. A cena da ponte Golden Gate já é uma das melhores do ano.
Se o ALZ-112 tem impacto positivo nos símios, nos humanos, por outro lado, tem efeito devastador - uma interessante sacada do roteiro que resulta numa cena após os créditos finais. O efeito da droga, contudo, é ferramenta indispensável para a intenção primordial do filme: centralizar a trama nos macacos. A escolha é certeira. Tanto que o elenco não-computadorizado, à exceção de John Lithgow e Tom Felton (ótimo no papel de 'carcereiro'), quase não merece destaque. A macacada faz e acontece.
Caesar, ao liderar a 'revolução dos bichos', profetiza o desfecho lúgubre do reinado humano. Mas, como quem é rei nunca perde a majestade, outros dois filmes estão previstos. Nesse meio tempo, quem sabe o homem não aprende a respeitar um pouco mais a natureza?
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Crítica do dia!
MATEMÁTICA DO AMOR (An Invisible Sign, EUA, 2010).
Direção: Marylin Agrelo.
Com: Jessica Alba, Chris Messina, Sonia Braga, J.K. Simmons, John Shea. 96min.
A Matemática é, indubitavelmente, a rainha de todas as Ciências. Platão já dizia: 'Os números governam o mundo.'E, por incrível que pareça, é a mais pura verdade: desde a graduação de terremotos na conhecida escala Richter até à descoberta de novos planetas, a Matemática encontra-se presente.
Como futuro matemático, um filme intitulado MATEMÁTICA DO AMOR certamente despertaria o meu interesse. E despertou - pelo menos nos primeiros quinze minutos de projeção, nos quais é exibida uma animação bacana com um mote soturno: num reino utópico, uma família é obrigada a 'ceder' um de seus integrantes como forma de solucionar a 'crise da falta de espaço'; o resto da fita é maçante e impreciso (e, como sabemos, imprecisão em Matemática é algo inadmissível).
Em MATEMÁTICA DO AMOR, filme de estréia da diretora Marylin Agrelo (antes, a cineasta havia feito apenas o documentário 'Mad Hot Ballroom' - no Brasil: 'Vamos todos dançar'), Jessica Alba interpreta Mona Gray, uma jovem apaixonada pela Matemática que, diante do sério problema psiquiátrico do pai, decide, digamos, abdicar das coisas boas que a vida pode oferecer - a idéia da moça era aderir, de certa forma, à mítica tese defendida por Paulo coelho: 'Quando você quer muito algo, o Universo conspira a seu favor.'Pra se ter uma noção, a jovem passa, por exemplo, a comer sabonetes na esperança de que um dia seu pai restaure a sanidade mental. Não obstante, Mona ainda precisa lidar com as dificuldades do magistério: mesmo sem o diploma, a garota consegue o cargo de professora de Matemática de uma escola local. A utilização de inovadoras técnicas de ensino (a 'equação humana' e a didática dos sinais '>' e '<', por exemplo) resulta no disparatado apogeu da pseudotrama: a inexperiente docente tem a imbecil idéia de introduzir, em sala de aula, um afiadíssimo machado para simbolizar o número 7.
A pedagogia da 'professorinha', notavelmente, provoca, no espectador, a mesma sensação que o filme, como um todo, produz neste: uma incômoda impressão de que a Matemática resume-se apenas às quatro operações aritméticas básicas. A Matemática é bela e, como tal, encanta. Mas, como diria o professor Manoel Paiva: 'A Matemática se revela em mentes sensíveis, capazes de ver uma espiral em um girassol, ângulos em uma estrela e Deus no infinito.'
Baseado no livro 'An invisible sign of my own', de Aimee Bender, MATEMÁTICA DO AMOR, felizmente, conta com um bom elenco de apoio: Chris Messina (o 'Latino' americano - reparem na semelhança!) e a brasileira Sonia Braga são destaques. Nada, porém, que salve o filme do fiasco. O amor é confuso e contraditório; a Matemágica, por sua vez, não admite paradoxos.
Direção: Marylin Agrelo.
Com: Jessica Alba, Chris Messina, Sonia Braga, J.K. Simmons, John Shea. 96min.
A Matemática é, indubitavelmente, a rainha de todas as Ciências. Platão já dizia: 'Os números governam o mundo.'E, por incrível que pareça, é a mais pura verdade: desde a graduação de terremotos na conhecida escala Richter até à descoberta de novos planetas, a Matemática encontra-se presente.
Como futuro matemático, um filme intitulado MATEMÁTICA DO AMOR certamente despertaria o meu interesse. E despertou - pelo menos nos primeiros quinze minutos de projeção, nos quais é exibida uma animação bacana com um mote soturno: num reino utópico, uma família é obrigada a 'ceder' um de seus integrantes como forma de solucionar a 'crise da falta de espaço'; o resto da fita é maçante e impreciso (e, como sabemos, imprecisão em Matemática é algo inadmissível).
Em MATEMÁTICA DO AMOR, filme de estréia da diretora Marylin Agrelo (antes, a cineasta havia feito apenas o documentário 'Mad Hot Ballroom' - no Brasil: 'Vamos todos dançar'), Jessica Alba interpreta Mona Gray, uma jovem apaixonada pela Matemática que, diante do sério problema psiquiátrico do pai, decide, digamos, abdicar das coisas boas que a vida pode oferecer - a idéia da moça era aderir, de certa forma, à mítica tese defendida por Paulo coelho: 'Quando você quer muito algo, o Universo conspira a seu favor.'Pra se ter uma noção, a jovem passa, por exemplo, a comer sabonetes na esperança de que um dia seu pai restaure a sanidade mental. Não obstante, Mona ainda precisa lidar com as dificuldades do magistério: mesmo sem o diploma, a garota consegue o cargo de professora de Matemática de uma escola local. A utilização de inovadoras técnicas de ensino (a 'equação humana' e a didática dos sinais '>' e '<', por exemplo) resulta no disparatado apogeu da pseudotrama: a inexperiente docente tem a imbecil idéia de introduzir, em sala de aula, um afiadíssimo machado para simbolizar o número 7.
A pedagogia da 'professorinha', notavelmente, provoca, no espectador, a mesma sensação que o filme, como um todo, produz neste: uma incômoda impressão de que a Matemática resume-se apenas às quatro operações aritméticas básicas. A Matemática é bela e, como tal, encanta. Mas, como diria o professor Manoel Paiva: 'A Matemática se revela em mentes sensíveis, capazes de ver uma espiral em um girassol, ângulos em uma estrela e Deus no infinito.'
Baseado no livro 'An invisible sign of my own', de Aimee Bender, MATEMÁTICA DO AMOR, felizmente, conta com um bom elenco de apoio: Chris Messina (o 'Latino' americano - reparem na semelhança!) e a brasileira Sonia Braga são destaques. Nada, porém, que salve o filme do fiasco. O amor é confuso e contraditório; a Matemágica, por sua vez, não admite paradoxos.
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Crítica do dia!
RATATOUILLE (Idem, EUA, 2007).
Direção: Brad Bird.
Com vozes de: Patton Oswalt, Ian Holm, Lou Romano, Brian Dennehy, Peter O´Toole, Brad Garrett. 110min.
Excelência e criatividade sempre foram o carro-chefe da PIXAR. A excelência reflete-se no deslumbre visual, no rigor dos detalhes e no acabamento perfeito das personagens e cenários. A originalidade, por sua vez, configura-se na elaboração de roteiros inteligentes, ricos culturalmente e que deixam no chinelo muitas historinhas idealizadas por grandes estúdios hollywoodianos.
Você seria capaz de imaginar um rato cozinheiro? Provavelmente sim. A imaginação humana é muito fecunda. Porém, comprar - e o mais importante: vender - esta idéia já são outros quinhentos. E não é que a PIXAR atreveu-se, mais uma vez, a tornar crível e belo algo aparentemente disparatado?
Em RATATOUILLE - título advindo do prato homônimo típico da Provença, região ao sul da França -, o ratinho pé-duro Remy diferencia-se dos demais roedores de sua colônia por ser dotado de uma habilidade extraordinária: a capacidade de discernir e manipular os mais variados aromas e sabores. Remy é um estudioso das receitas do chef francês Gusteau - personagem livremente inspirado em Bernard Loiseau, mestre-cuca francês que cometeu suicídio após especulações sobre uma possível queda em sua cotação no Guia Michelin, a máxima referência no negócio de restaurantes franceses - e, por um lance do destino, vai parar na cozinha de um dos restaurantes que leva o nome deste.
Falar mais só serviria para estragar algumas pequenas surpresas do roteiro, rico em situações e repleto de personagens inesquecíveis. Um deles é o sous chef Skinner, homem diminuto excepcionalmente dublado pelo inglês (também pequenino) Ian Holm - o Bilbo de O SENHOR DOS ANÉIS. É ele o responsável pelas mais hilárias sequências do filme. Por outro lado, o crítico gastronômico Anton Ego, outrora catalisador da decadência de Gusteau, embora com pouco tempo de tela, nos presenteia com um escrito dos mais belos já vistos no Cinema - alvo, inclusive, de uma série de discussões filosóficas na internet. Assim como o filho pródigo da conhecida parábola bíblica, que estimulado pela memória gustativa retorna à casa do pai, Ego, ao deparar-se com o talento culinário de Remy, tem suas reminiscências alimentares acionadas e rende-se à genialidade do 'little chef'. Aqui, caro leitor, não há como não recordar o gosto peculiar das delícias e guloseimas preparadas por sua mamãe quando você ainda morava no interior. Simplesmente tocante.
RATATOUILLE é como aquele prato saboroso: merece ser repetido várias e várias vezes. E com direito a uma sobremesa: um interessante mini-documentário sobre a relação dos ratos com a humanidade através dos tempos.
Direção: Brad Bird.
Com vozes de: Patton Oswalt, Ian Holm, Lou Romano, Brian Dennehy, Peter O´Toole, Brad Garrett. 110min.
Excelência e criatividade sempre foram o carro-chefe da PIXAR. A excelência reflete-se no deslumbre visual, no rigor dos detalhes e no acabamento perfeito das personagens e cenários. A originalidade, por sua vez, configura-se na elaboração de roteiros inteligentes, ricos culturalmente e que deixam no chinelo muitas historinhas idealizadas por grandes estúdios hollywoodianos.
Você seria capaz de imaginar um rato cozinheiro? Provavelmente sim. A imaginação humana é muito fecunda. Porém, comprar - e o mais importante: vender - esta idéia já são outros quinhentos. E não é que a PIXAR atreveu-se, mais uma vez, a tornar crível e belo algo aparentemente disparatado?
Em RATATOUILLE - título advindo do prato homônimo típico da Provença, região ao sul da França -, o ratinho pé-duro Remy diferencia-se dos demais roedores de sua colônia por ser dotado de uma habilidade extraordinária: a capacidade de discernir e manipular os mais variados aromas e sabores. Remy é um estudioso das receitas do chef francês Gusteau - personagem livremente inspirado em Bernard Loiseau, mestre-cuca francês que cometeu suicídio após especulações sobre uma possível queda em sua cotação no Guia Michelin, a máxima referência no negócio de restaurantes franceses - e, por um lance do destino, vai parar na cozinha de um dos restaurantes que leva o nome deste.
Falar mais só serviria para estragar algumas pequenas surpresas do roteiro, rico em situações e repleto de personagens inesquecíveis. Um deles é o sous chef Skinner, homem diminuto excepcionalmente dublado pelo inglês (também pequenino) Ian Holm - o Bilbo de O SENHOR DOS ANÉIS. É ele o responsável pelas mais hilárias sequências do filme. Por outro lado, o crítico gastronômico Anton Ego, outrora catalisador da decadência de Gusteau, embora com pouco tempo de tela, nos presenteia com um escrito dos mais belos já vistos no Cinema - alvo, inclusive, de uma série de discussões filosóficas na internet. Assim como o filho pródigo da conhecida parábola bíblica, que estimulado pela memória gustativa retorna à casa do pai, Ego, ao deparar-se com o talento culinário de Remy, tem suas reminiscências alimentares acionadas e rende-se à genialidade do 'little chef'. Aqui, caro leitor, não há como não recordar o gosto peculiar das delícias e guloseimas preparadas por sua mamãe quando você ainda morava no interior. Simplesmente tocante.
RATATOUILLE é como aquele prato saboroso: merece ser repetido várias e várias vezes. E com direito a uma sobremesa: um interessante mini-documentário sobre a relação dos ratos com a humanidade através dos tempos.
domingo, 31 de julho de 2011
Crítica do dia!
O ÚLTIMO EXORCISMO (The Last Exorcism, EUA, 2010).
Direção: Daniel Stamm.
Com: Patrick Fabian, Ashley Bell, Iris Bahr, Louis Herthum, Caleb Landry Jones, Tony Bentley. 87 min.
Nestes dois últimos meses, experimentei mudanças bruscas e impactantes em minha vida. Durante este período, todas as minhas atenções estavam voltadas para o causador (ou melhor, causadora) de tamanho rebuliço. Agora, com as coisas em seus devidos lugares, volto a escrever por aqui. A película da vez é O ÚLTIMO EXORCISMO. Ao contrário de muita gente, gostei do filme. A produção tem seus defeitos, claro, mas há, aqui, uma peculiaridade que a destaca dentre realizações semelhantes: a opção pelo suspense psicológico ao invés da construção de situações amparada pela computação gráfica - todas as nuances da possível possessão demoníaca (posições acrobáticas, rotações de pescoço, etc.), por exemplo, dispensaram efeitos visuais: Ashley Bell, a intérprete da jovem molestada (ou não) pelo demônio Abalam, é, segundo os produtores, contorcionista profissional.
A escolha de realizar uma fita de horror realista é coerente com o próprio formato do filme: O ÚLTIMO EXORCISMO é um 'mockumentário', isto é, um documentário ficcional. Inicialmente, acompanhamos a rotina do reverendo Cotton Marcus, sua relação com esposa e filho, e, também, sua habilidade em lidar com o público (no caso, os fiéis). Diferentemente do religioso interpretado por Mel Gibson em SINAIS, que teve sua fé abalada após a morte da esposa, Cotton põe sua crença em xeque por uma razão antagônica: a cura de seu filho de uma doença grave. Como Deus e o Diabo devem coexistir, a descrença em um deles deve implicar na inexistência do outro. Assim, Cotton assume o compromisso de desmistificar os rituais de exorcismo, pois, afinal de contas, eles seriam apenas farsas orquestradas pela Igreja Católica. Eis que surge, no caminho de Cotton, a adolescente de 16 anos Nell, e, novamente, a fé do reverendo é posta à prova.
Como o horror explícito não é prioridade aqui, há, ainda, algumas inserções interessantes no roteiro: suposições de incesto, fanatismo religioso e a super proteção de um pai são as justificativas empíricas utilizadas por Cotton na tentativa de explicar o inexplicável. O intrincado roteiro, no entanto, é prejudicado por um desfecho desapontador, alvo (quase) unânime de críticas negativas, dada a similaridade do mesmo com produções congêneres (leia-se: A BRUXA DE BLAIR).
Uma coisa é certa: o desconhecido causa medo. E, nessas horas, distanciar-se da crença em um ser superior não é lá uma escolha muito inteligente. Fé em Deus e pé na tábua.
Direção: Daniel Stamm.
Com: Patrick Fabian, Ashley Bell, Iris Bahr, Louis Herthum, Caleb Landry Jones, Tony Bentley. 87 min.
Nestes dois últimos meses, experimentei mudanças bruscas e impactantes em minha vida. Durante este período, todas as minhas atenções estavam voltadas para o causador (ou melhor, causadora) de tamanho rebuliço. Agora, com as coisas em seus devidos lugares, volto a escrever por aqui. A película da vez é O ÚLTIMO EXORCISMO. Ao contrário de muita gente, gostei do filme. A produção tem seus defeitos, claro, mas há, aqui, uma peculiaridade que a destaca dentre realizações semelhantes: a opção pelo suspense psicológico ao invés da construção de situações amparada pela computação gráfica - todas as nuances da possível possessão demoníaca (posições acrobáticas, rotações de pescoço, etc.), por exemplo, dispensaram efeitos visuais: Ashley Bell, a intérprete da jovem molestada (ou não) pelo demônio Abalam, é, segundo os produtores, contorcionista profissional.
A escolha de realizar uma fita de horror realista é coerente com o próprio formato do filme: O ÚLTIMO EXORCISMO é um 'mockumentário', isto é, um documentário ficcional. Inicialmente, acompanhamos a rotina do reverendo Cotton Marcus, sua relação com esposa e filho, e, também, sua habilidade em lidar com o público (no caso, os fiéis). Diferentemente do religioso interpretado por Mel Gibson em SINAIS, que teve sua fé abalada após a morte da esposa, Cotton põe sua crença em xeque por uma razão antagônica: a cura de seu filho de uma doença grave. Como Deus e o Diabo devem coexistir, a descrença em um deles deve implicar na inexistência do outro. Assim, Cotton assume o compromisso de desmistificar os rituais de exorcismo, pois, afinal de contas, eles seriam apenas farsas orquestradas pela Igreja Católica. Eis que surge, no caminho de Cotton, a adolescente de 16 anos Nell, e, novamente, a fé do reverendo é posta à prova.
Como o horror explícito não é prioridade aqui, há, ainda, algumas inserções interessantes no roteiro: suposições de incesto, fanatismo religioso e a super proteção de um pai são as justificativas empíricas utilizadas por Cotton na tentativa de explicar o inexplicável. O intrincado roteiro, no entanto, é prejudicado por um desfecho desapontador, alvo (quase) unânime de críticas negativas, dada a similaridade do mesmo com produções congêneres (leia-se: A BRUXA DE BLAIR).
Uma coisa é certa: o desconhecido causa medo. E, nessas horas, distanciar-se da crença em um ser superior não é lá uma escolha muito inteligente. Fé em Deus e pé na tábua.
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